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terça-feira, 1 de março de 2011

Quer Teclar Comigo Novamente? (3)



Capítulo 3:

                
Quando Lucas Oliveira chegara ao Brasil não tinha ideia do que havia ocorrido com alguns de seus amigos e familiares. Fora à sua antiga casa e soube que seus pais haviam se mudado de São Paulo para outro Estado. Soube também dos terríveis assassinatos no qual seus primos (Fred e o falecido Éric) e seu tio (Marcos) estavam inteiramente e absolutamente envolvidos. Soube da trágica morte de Thalita, Aline e Carine pelo noticiário – que naqueles dias somente reportava assuntos relacionados a esses homicídios -. Também ficou sabendo de muitas outras mortes, como a de Cláudia, mas não ficou tão abalado quanto à morte de suas amigas. Estava triste. Pensava se fizera a coisa certa ao deixar seus outros tios na Itália para vir morar novamente ao seu país de origem e, cada vez mais, as respostas em sua mente eram negativas.
                Em quê eu fui me meter? – Sua mente questionava enquanto tomava um café, sentado diante do balcão de uma lanchonete da cidade. Tinha dinheiro para alugar um apartamento ou ficar num hotel por alguns dias. Mas esse não era o grande problema em que ele havia se metido.
                O problema era algo grande.
                Muito maior do que se imaginava.
                Seu celular tocou:
                - Alô – disse ele, num tom calmo. Por certo, já sabia quem era –... Sim, cheguei.
                - Então ainda fará aquilo? – perguntou a voz com quem estava falando. Parecia de mulher. Era de mulher e, aparentemente, não estava de bom humor – Droga, Lucas! Eu preciso disso o mais rápido possível! O tempo está acabando!
                - Eu vou fazer. Eu vou fazer, mas tenha calma! – ele disse num tom de desculpa. Tentava acalmá-la, mas logo percebeu que não conseguiria. As pessoas no local estranhavam seu comportamento de preocupação -... Eu prometo. Vou começar hoje à noite... Sim, eu o farei. Prometo.
                - Se me ama de verdade, então sei que fará – a mulher disse num tom carinhoso, de esperança. Ela sabia que ele faria aquilo. Aquilo, o quê?
                - Eu te amo. Veremos-nos em breve – disse e sua última palavra foi num tom despedida, desligando o aparelho.
                Eu não tenho escolha. Terei de fazer isso o mais rápido possível... Ou ela morrerá.
                Lucas tinha segredos. Ah, sim. Tinha muitos segredos. E estes haveriam de ser revelados com o tempo. O tempo curto que ele tinha para fazer aquilo.
                Tomou seu café morno em um só gole e saiu rapidamente da lanchonete: Ele tinha muitas coisas a fazer.
               


                 Enquanto caminhava pelo parque do Ibirapuera, em São Paulo, discava números em seu celular. Estava ligando para alguém, um amigo.
                O vento soprava não muito forte, mas o suficiente para refrescar aquele abafado calor da tarde. As pessoas deitavam sobre o verde gramado do parque, os ciclistas pedalavam e exercitavam-se, assim como os corredores batiam seus pés ao chão em uma correria física. Os cães se conheciam, colocando seus focinhos gelados uns aos outros, descobrindo novos cheiros e obtendo novas amizades – ou inimizades.
                Finalmente, o sujeito para quem estava ligando atendeu.
                - Alô? – a voz do outro lado perguntou.
                - Olá Roberto – disse Lucas – Sou eu: Lucas.
                - E aí, Lucas – Roberto o cumprimentou feliz – Tudo bom? E então, já está se acostumando novamente com o Brasil?
                - Sim, sim, estou – a voz de Lucas estava meio impaciente. Ele não estava com bom humor para uma conversa longa – E então, adicionou o contato que lhe passei?
                - O da garota? – disse – Claro. Adicionei agora a pouco. Mas acho que ela ainda não aceitou o convite. Mas então, ela é gostosa mesmo?
                Lucas riu.
                - Claro que é. Acha que eu mentiria para você? É muito boa. Bem safadinha. Você vai adorá-la.
                - Não diga isso agora, amigo – disse ele num tom pervertido -, eu já estou ficando louco aqui só de imaginá-la!
                - Melhor não imaginar, ela é bem melhor do que você pensa – Lucas disse, deixando seu companheiro totalmente entusiasmado –.  Agora, preciso desligar. Preciso ir a um lugar e acho que já estou atrasado.
                - Aonde você vai, Lucas? – perguntou Roberto, num tom de desconfiança.
                - Tchau – Lucas ignorou a pergunta de seu amigo e desligou o celular. Pensou por alguns segundos e disse com remorso: - Desculpe-me, amigo, mas tudo isso é para o bem dela.




                Em sua casa, Roberto Fernandes – dezessete anos, alto, magro, moreno-claro, olhos castanho-claros e um rosto oval – escutava um bom rock pesado, comendo puras besteiras: Um enorme sanduiche com tudo o que poderia se imaginar de comestível no meio; um refrigerante mega – um galão de coca-cola – e batatinhas murchas e oleosas. Ele literalmente estava fazendo a festa. Seus pais estavam, sim, mas na sala de estar – provavelmente assistindo a tele-novela da tarde e provavelmente não escutavam a bagunça no andar de cima -. Ele estava em seu quarto e, enquanto comia desesperadamente, deliciava-se com as belas fotos de garotas nuas em inúmeros sites pornográficos.  Seus olhos fitavam aquelas imagens e ele criava casos sexuais com aquelas mulheres em sua mente.
                Roberto ainda esperava por aquela garota ao qual Lucas havia mencionado e lhe passado o contato do MSN. E, mesmo que ela ainda não o tenha aceitado, ele esperava ansioso e esperançosamente por ela. Queria vê-la nua através do webcam. Queria vê-la fazendo danças sexuais a ele, mostrando lentamente e aos poucos todo o seu belo corpo. Ele se masturbaria com ela. Pensara em fazer coisas com ela que nem mesmo um ator pornô imaginaria fazer.
                Ele não saía de casa. Largara a escola há três anos e seus pais não lhe davam a menor atenção. Ficava trancado em seu quarto com o computador ligado o dia todo, tentando conseguir garotas nas salas de Bate-Papo para conversas através de webcams, no intuito de fazê-las ficarem despidas para seu prazer. Às vezes conseguia. Às vezes não.
                De repente, o Messenger alertou-o: “Diabinha” Acabou de entrar no Messenger.
                Seus olhos sobressaltaram e ele fitou aquela foto. Uma foto perfeita daquele contato: Uma mulher trajada de biquíni e sutiã, magra, o cabelo longo e escuro e a pele clara...
                Meu Deus, sua mente exclamou. O suor escorreu de sua testa, o seu coração deu pontadas em seu peito...
                Roberto estava totalmente excitado.
                Ele não reconheceu aquela pessoa e clicou na foto para iniciar uma conversa. Ainda contemplava veemente aquela imagem. Seus olhos não piscavam.
                Ele, então, começou:

Roberto: Olá, tudo bom? Desculpe-me, mas quem é você? Não me lembro de tê-la em meus contatos. :s

                A resposta demorou alguns segundos, mas veio:

Diabinha: Oi, estou muito bem. Não me conhece? Ué, mas você é o amigo do Lucas Oliveira, não é? Não foi você quem me adicionou?

                Logo a alegria o tomou. Então é ela, ele pensou e sorriu.

Roberto: Ah... Então é você a amiga do Lucas? Rsrsrs... Ele estava me enchendo o saco pra te adicionar. Disse que você era muito linda, e é verdade... >.<

Diabinha: Obrigada amor. Você também é muito lindo sabia? Mas e então, quantos anos você tem mesmo?

                A timidez o tomou. Ele não sabia quantos anos ela poderia ter e já estava cansado de saber que as garotas odiavam homens mais novos. Então resolveu mentir:

Roberto: Eu tenho vinte e um... E você?

Diabinha: Eu tenho dezenove. De onde tecla?

Roberto: Itaquaquecetuba, São Paulo, e você?

Diabinha: Arujá, São Paulo. Não é muito longe... rsrsr ;D

Roberto: É pertinho. Rsrsr

                Durante alguns segundos, ela não enviou mais mensagens e Lucas apenas esperava. A conversa tinha acabado. Ele não sabia mais o que escrever e, por certo, ela esperava que ele tivesse a iniciativa de puxar assunto.
                Ele pensou, pensou, pensou... Pensou bastante e, de repente, olhou novamente aquela foto e contemplou excitadamente: Gostosa, pensou. Novamente as imagens e fantasias sexuais surgiam em sua mente, agora com aquela garota incluída.
                Por fim, ele não resistiu e resolveu cantá-la de uma vez por todas. Seria difícil, claro. Era quase impossível uma garota daquelas acabar gostando de um meninão como ele, ainda mais quando ele tinha dezessete anos e ela nem, ao menos, imaginava isso. Mas tentar não custou nada a ele, e ele tentou:

Roberto: E então... Sabe, eu achei você muito linda mesmo. Até estou suando aqui... rsrs

Diabinha: kkkkkk... Nossa, eu sou tão bonita assim? :P

Roberto: Desculpe-me a maneira de dizer, mas... Você é GOSTOSA! (6)

Diabinha: kkkkkk... Nossa gato, assim você me deixa sem jeito... rsrsrs... Eu te achei muito gostoso também. Essa sua foto sem camisa me deixou... Ai! Nem dá pra falar direito... kkkkk

Roberto: Sério? Se quiser, eu posso te mostrar algo mais... Por que não liga a sua webcam e nos vemos... Depois te mostro uma coisa... ahsuahushashaushausa...

                A garota não respondeu por alguns instantes. Roberto teve receio de acabar magoando-a com aquelas palavras pervertidas. Porém...

Diabinha: Desculpe-me, gato. Eu não gosto muito de webcam. Eu prefiro mais na real. E já que moramos perto, por que não marcamos um encontro? Ai você poderia me mostrar algo seu e eu mostraria algo meu... (6)

                Roberto estava boquiaberto. Num instante, perdeu toda a timidez e receio de conversar com aquela garota abertamente. Ela está querendo transar comigo, pensou. E era verdade. As cantadas dela não mentiam: Ela queria transar com ele e, claro, ele não perderia essa chance.

Roberto: Claro. Claro! Vamos marcar. Mas onde poderíamos nos encontrar? Aqui em casa não dá, os meus pais moram aqui.

Diabinha: Sem problema! Os meus pais estão viajando e nem ligam quando vem gente em casa. Vou te passar o endereço e você vem aqui, ok?

Roberto: Ok.

                A garota passou-lhe o endereço e ele anotou. Estava realmente disposto a encontrá-la e saciar sua sede de sexo de uma vez por todas. Há tempos não transava com alguém, mas isso iria mudar...
               
Diabinha: Agora eu vou sair. Encontre-me amanhã neste endereço que lhe passei. Vou estar te esperando toda molhadinha... (6)

                Diabinha saiu do Messenger.
                Roberto sorriu e esperou ansiosamente que o dia de amanhã chegasse. Ele iria, nem que chovesse, nem que fizesse o mais forte e caloroso sol, nem que estivesse tão frio quanto na Antártida... Ele iria, mesmo que não soubesse exatamente quem ela era, pois seu desejo era maior que todos os temores. Mentiria aos pais. Diria que ia à casa de um amigo, mas na verdade veria uma desconhecida... Mas ele iria.
                Ele ia. Sim. Ele iria e satisfaria o seu desejo sexual com ela... A Diabinha.
                Diabinha. Um nome mau, mas não tão mau quanto a pessoa que se escondia por trás deste demoníaco apelido.


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