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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Confissões de um Escritor - O Nascimento (5)





Capítulo 5 –

            Os dias passavam muito rapidamente para mim. Eu não sabia em que mês estávamos, ou que data comemorativa poderia ser. Apenas conhecia o Natal e Ano Novo, além do meu aniversário.
            A minha rotina diária era: acordar 7 horas da manhã, assistir aos desenhos enjoativos – mas que distraiam – da Warner, depois rir com as palhaçadas do Quico, na turma do Chaves, e a tarde sair para brincar com os meus amigos. Antes do anoitecer, minha mãe gritava pela janela para eu ir tomar banho e, logo após, dormir.
            Naquela época, meus irmãos ainda estudavam e quando os via chegando em casa, despedindo-se dos colegas na rua, sentia uma imensa vontade de ir á escola. Eu esperava ansiosamente que os anos passassem rápido para que eu começasse a estudar. Enquanto o dia não chegava, aprendia a escrever o meu nome com muita dificuldade, a ponto de chorar.
            Todas as noites eu esperava pela chegada do meu pai, pois ele trabalhava no Terraço Itália – localizado na Av. Ipiranga, em São Paulo -. A distância entre a capital do Estado e a cidade de Itaquaquecetuba era enorme, ainda mais para quem não tinha carro – como era o caso da minha família -. Então, meu pai saía entre quatro e cinco da manhã para pegar o Pássaro Marrom – um ônibus coletivo que fazia o trajeto por toda São Paulo – e voltava muito, muito tarde. Às vezes eu até já estava dormindo, mas sempre fazia o possível para ficar acordado, já que ele sempre me trazia algum presente. Eu era muito interesseiro. Sempre gostava de ganhar muitos brinquedos. Vivia pedindo e choramingando para ganhar o que queria, e sempre conseguia – embora naquela época nunca pudesse ter uma bicicleta, pois minha família achava um tanto perigoso, além de não poder empinar pipas, pelo mesmo motivo -.
            E os dias se passavam e as mesmas rotinas que não me cansavam: Acordar, assistir, brincar, tomar banho e dormir. Até que, Certo dia, quando eu já tinha uma idade em que podia raciocinar melhor as coisas, minha mãe ordenou:
            - Valdir, está na hora de ir á igreja!
            Logo minha testa franziu e as manhas de chorar vieram á tona. Eu não tinha vontade de ir para a igreja, e fazia mais birra ainda se fosse por obrigação.  Quando eu nasci, certamente já era levado ao lugar, mas não me lembrava e com certeza só dormia ali. Mas, naquela idade de, mais ou menos, cinco anos, eu já tinha mente suficiente para dizer Não!
            Porém, não adiantaria: Eu teria de ir, fosse por bem... Ou por mal...



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