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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quer Teclar Comigo Novamente?

Saudações à todos! Eis que, como prometido, estou postando a continuação do bem criticado "Quer Teclar Comigo?". Espero que gostem e apreciem a leitura. Para deixar-vos mais curiosos sobre essa seqüência, postarei capítulo por capítulo - um em cada post. Ao fim do conto, juntarei-os como fiz com o anterior.

Desde já agradeço a todos pelas visitas, comentários, críticas e sugestões. O número de seguidores cresceu bastante e eu estou muito feliz por isso. Posso dizer que já é parte de um sonho realizado: Posso ver, com clareza, que estou sendo reconhecido e devo tudo isso à vocês! Muito obrigado mesmo, de coração!

Agora, chega de enrolação e melancolia e vamos partir para o Suspense, Terror e Adrenalina que, claro, encontrarão neste conto.

Let's GO!


Quer Teclar Comigo Novamente?



Prólogo:
                Aline aproximou-se da casa de Thalita, batendo á porta: Ninguém atendeu. Ela resolveu, então, entrar por conta própria.
            Abrindo-a, deparou-se com a sala de estar totalmente revirada e ensangüentada. No computador, o líquido vermelho escorria pelo monitor, onde se podia ver que alguém estivera ali e entrara em uma sala de bate-papo.
            Aline, sem perceber, pisara em algo. Ao olhar para o chão saltou num pulo e a expressão de horror tomou o seu rosto: Ela havia pisado no corpo de Thalita, que estava estendida e já em estado de putrefação. Os vermes criavam caminhos esburacados em seu corpo.
            Um efeito sonoro ecoou pelas caixas de som do computador. Aline virou-se para ele e avistou na tela uma mensagem enviada há pouco. Ela leu e seus olhos esbugalharam em uma aparência horrenda:
            “QUER TECLAR COMIGO, ALINE?”
            Sem que ela percebesse, um homem surgiu por trás e a apunhalou na cabeça com uma faca repentinamente, fazendo-a cair ao chão de olhos abertos e totalmente vidrados.
           
            Aline acordou. Estava com os lábios costurados e seu corpo amarrado sobre a pia da cozinha, ainda na casa de Thalita. Ela se revirava, tentava se movimentar, mas era impossível. Seus gemidos eram abafados e as lágrimas escorriam de seus olhos. Ela estava desesperada, com medo da morte – que era mais do que certa.
            Fred surgiu entrando ao local, segurando uma tesoura medicinal. Ele não estava com piedade naquele dia e, por conseqüência disso, Aline não estaria com sorte.
            Sem mais nem menos, o assassino iniciou uma dolorosa e lenta cirurgia no corpo da vítima: Primeiro, retirou os Rins, depois os Pulmões e, em seguida, o fígado.
            Aline estava morta.


            Na verdade, tudo isso fora apenas uma história contada por Fred, que, após ser encontrado pelos policiais e investigadores, estava na delegacia prestando depoimento ao tenente Carlos.
            -... E foi assim que eu matei Thalita e Aline – disse Fred, num tom de voz calmo, como se não estivesse preocupado com as conseqüências de seus atos.
            - Muito bem – disse Carlos, encarando-o com olhos de águia, tentando ler os pensamentos do homem – Então, onde estão os corpos?
            Fred fez uma pausa, mas respondeu:
            - Eu... Os queimei.
            Carlos logo desconfiou. Esse garoto não tem amnésia, pensou, não pode ter se esquecido de como deu fim aos corpos... Isso se ele deu mesmo um fim neles. Não. Eu não acredito nisso. Ele deve estar mentindo. Há algo a mais por trás disso, e eu vou descobrir.
            - Queimou? – questionou num tom de descrença. O encarar dos olhos era muito tenso e Fred desviava os seus. Ele estava escondendo algo e Carlos sabia – E onde você jogou as cinzas?
            Fred, de repente, engoliu em seco. O suor escorreu-lhe da testa e a respiração era forçada. Mesmo que o policial não estivesse fazendo absolutamente nada, o garoto sentia-se pressionado, torturado mentalmente... Aquela sala pequena, estreita, abafada... A sensação de estar sendo observado por câmeras que capturariam qualquer movimento, até um piscar de olhos... Esse era o trabalho policial-investigativo: Torturar a mente do acusado. Fazê-lo dizer tudo o que seus olhos aparentam esconder. São, na realidade, completos hipnotizadores de mentes.
            - Fred? – Carlos chamou a atenção do garoto, que pensava muito, até demais... – Não vai dizer onde jogou as cinzas? Será que você jogou mesmo as cinzas? Será mesmo que queimou os corpos? Espere: Será que você matou mesmo aquelas meninas?
            Um silêncio pairou sobre a sala pouco ventilada – na verdade, não havia ventilação -. O som do tic-tac do relógio na parede podia ser ouvido, torturando cada vez mais Fred, que contava os minutos, segundos para sair dali. Se pudesse, com certeza jogaria a mesa de madeira contra o tenente e fugiria pela porta, correndo em direção a rua, até que roubasse um carro e desaparecesse do mapa. Mas não. Ele não podia nem ao menos pensar nisso. Estava em uma delegacia – o último lugar onde um bandido tentaria reagir.
            - Não vai me dizer nada? – perguntou Carlos num tom cômico, quase rindo, brincando com o sujeito. Ele estava se divertindo com aquela situação. Sentia puro prazer em fazer um vândalo sofrer e se torturar com o medo de ser preso, linchado. Por mais tempo que estivessem ali, Carlos estava disposto a não desistir e cada vez mais intimidava o garoto – Pois bem, fique quieto. Faça o que quiser. Mas lembre-se de que não vou a lugar algum. Vou esperar de boa vontade você abrir a boca e me dizer a verdade. Enquanto isso não acontece, apenas o observarei atentamente.
            Fred não dizia absolutamente nada, apenas com os olhos vidrados á mesa, enquanto os olhos do tenente não fugiam dos seus.
            Carlos riu.
            - Está com sede?
            Fred engoliu em seco, emitindo o barulho da garganta totalmente ressecada. Seus lábios estavam cortados.
            O tenente retirou uma garrafa de água totalmente gelada do chão e pôs sobre a mesa. Aquelas gotas gélidas escorrendo sobre o plástico...
Água! Pensou Fred, com os olhos contemplando aquele líquido glorioso. Ele podia sentir a água tocando sua garganta.
Água! ÁGUA, as palavras eram mais constantes em sua mente e, cada vez mais, a vontade de bebê-la tomava sua língua e garganta.
Carlos girou a tampinha do lacre e elevou a garrafa em sua boca. O líquido descera suavemente. Fred podia sentir aquela água descer e engolia em seco. A vontade. O desejo... A sede. Sim. Ele estava praticamente morrendo de sede.
            - AAAH... – o refrescar da boca de Carlos pôde ser ouvido – Muito bom e refrescante... Aposto que você está com sede, Fred. Melhor se acostumar comigo bebendo essa coisa geladinha... Aliás, é melhor se acostumar a beber a própria saliva... hehehe!
            Os lábios de Fred tremiam, os olhos brilhavam e fitavam em Carlos. O ódio estava exposto em seu rosto e, se pudesse, ele o mataria naquele exato momento. Mas apenas teria de continuar calado. Não podia dizer o que escondia. Não podia e não ia contar, mesmo que continuasse a engolir a própria saliva para não morrer de sede. Mesmo que urinasse nas calças.
            Eu não vou contar, pensava ele, enquanto encarava o tenente.
            Ah, mas você vai contar, pensou Carlos, encarando-o também.


Capítulo 1:

             

O mundo é tão pequeno, pensou Lucas, contemplando a região de Guarulhos envolta do Aeroporto Internacional em Cumbica. Acabara de chegar da Europa e já estranhava o lugar em que morava há dois anos. Sua verdadeira família morava no Brasil e ele já estava exausto de tanto ter que falar idiomas que não saíam fluentes em sua boca.
                Enquanto observava os aviões que vinham e iam, a imagem quase invisível das montanhas no horizonte e o céu completamente azulado, pensava em como seus amigos o receberiam. Será que o reconheceriam? Será que notariam certas diferenças nele?
                Claro que ele mudara um pouco: Estava mais alto, seu rosto mais claro – talvez pela gélida temperatura da Europa – e não possuía imperfeições. O cabelo crescera e fora tingido para um tom claro, quase castanho. Agora ele usava lentes de contato bem verdes – até que combinava com sua aparência séria, de garoto metido.
                Tinha dezoito anos e já se formara no Ensino Médio. Voltou para rever os amigos, a família... Mas não tinha idéia dos terríveis acontecimentos em que todos eles estavam envolvidos.
                Mas certamente ele iria descobrir e até, inocentemente – nem tão inocente assim – se envolver.
                Aline, Thalita, Carine... Como será que elas estão? Tio Marcos, primos Éric e Fred... Estou com tanta saudade de vocês...
               Saudade. Absolutamente, Lucas não estava sabendo das coisas horríveis que haviam acontecido naquela cidade...
               Mas ele haveria de saber.