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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Confissões de um Escritor - O Nascimento (6)


 Capítulo 6 –

        
    Religião. Você tem uma? Se tiver, então deve frequentar algum lugar considerado sagrado e sua alma sente prazer em estar ali. A paz toma seu coração e você se sente seguro e livre dos problemas da vida, concentrando-se apenas em um único intuito: Louvar a Deus, o Ser todo poderoso em quem as pessoas creem – inclusive eu. Mas naquela época não era tão fácil assim uma criança de cinco ou seis anos ir de livre arbítrio a uma igreja, sentar-se educadamente ao banco e assistir ao culto, ou cerimônia, ou missa. Na verdade, isso poderia ser classificado como: Desafio.
            Sim. Era um desafio para minha família levar-me ao culto – que era três vezes por semana -. Eles pediam com calma:
            - Valdir, vamos para a igreja.
            Eles insistiam:
            - Valdir, por favor, vamos para a igreja.
            Ordenavam:
            - Valdir, vamos para a igreja, agora!
            ... E, por fim, se não houvesse alternativa:
            - Menino, venha cá! Genauro pegue a cinta!
            Desse modo, eu ia para os cultos – independente da minha vontade -. Eu podia chorar, berrar, fazer corpo mole, me arrastar, e tudo mais. Porém, o desfecho seria evidente: Eu estaria com o bumbum sentado no banco da igreja, seja ao lado do meu pai, da minha mãe, do meu irmão, ou da minha irmã. Como era pequeno e não desgrudava da minha mãe, sempre sentava no colo dela e dormia o culto inteiro.
            Mas eu não era o único a ir pra a igreja. Havia outras crianças da minha idade que também dormiam aos colos de suas mães. Foi então que, certo dia, fugindo do colo de minha mãe e correndo para o jardim – ao lado de fora da igreja – conheci uma garota: Monique Ramos, uma menina extremamente branca, de olhos azuis e cabelos longos e loiros. Sim. Ela era linda, mas não pensem que nada poderia rolar – ainda mais naquela idade -. Éramos apenas duas crianças curiosas e levadas, e acabamos por iniciar um grande laço de amizade. Amizade essa que obtenho até hoje.
            Mas os laços de amizade não acabaram por aí, e muitos outros pequeninos eu encontraria pelos corredores da igreja. Sim, eu vasculhava todo o lugar, sem saber o que estava procurando. Estava exercitando as pernas mesmo que não soubesse.
            Entre essas caminhadas, conheci dois irmãos: Jhonatan José e Michelle Karine, duas crianças extremamente levadas, mas que fariam parte da minha vida. Ás vezes, eles me metiam em confusão, como na vez em que houvera um culto especial lá em casa: Todos estavam na sala, cantando os hinos, enquanto eu apenas observava. Os pais dos dois estavam lá e haviam trazido eles. O problema era que eles não estavam na sala.
            Então, eu fui á cozinha, por mania de ficar andando sem rumo, e acabei os encontrando. A princípio, nada demais. Eu até quis me amostrar, mexendo no armário, tentando dizer que era o dono da casa, mas eles nem sequer davam atenção.
            Foi quando, de repente, eu olhei ao lado do fogão e vi Michelle e Jhonatan pendurando-se em cima do botijão de gás, fazendo-o cair no piso e assustar todos que estavam na sala. Eles saíram correndo e eu fiquei lá. Minha mãe chegou e me viu ao lado do botijão caído, pegou na minha orelha fortemente e me levou para a sala, fazendo-me ficar lá de pé até o término do culto.
            Sim. Os dois irmãos eram uns pestinhas, mas acabaram conquistando a minha amizade dessa maneira. Até hoje somos grandes amigos.
            Muitas amizades eu fiz naquela igreja e, mesmo fazendo birra para não ir ao lugar, sempre me divertia e esquecia-se de tudo ao estar lá.
            Dentre muitos companheiros, houvera uma família que conheci e que, até hoje, os considero parte da minha. Eles eram os: Oliveira Costa.



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