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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quer Teclar Comigo novamente? (7)



Capítulo 7 –

                Carlos Henrique, o destemido tenente da polícia militar da capital de São Paulo. Tão reconhecido no país quanto no próprio Estado em que reside. Já ganhara vários prêmios e recompensas por prender famosos criminosos, encontrar cativeiros, descobrir pontos de drogas... Enfim, um exemplo de policial e homem para a sociedade.
                Porém, agora, esse homem destemido estava passando por um processo de stress e ansiedade. Nunca em sua vida um caso fora tão complicado quanto o que estava tentando resolver: O caso de Fred e Marcos Oliveira – os homens responsáveis pelos terríveis assassinatos de muitas pessoas, vítimas da internet. Entre elas: Cláudia, Carine, Thalita e Aline...
                Thalita e Aline, pensou Carlos, pois não tinha certeza de que essas duas garotas estavam realmente mortas. Até aquele momento, os corpos ainda não haviam sido encontrados e, mesmo Fred dizendo que as queimou, ele não conseguia acreditar nas palavras de um assassino astuto e falso, que faria – e diria – de tudo para que seus planos dessem certo.
                E se elas estiverem realmente mortas?, Carlos se perguntou, indeciso. Sua mente girava e tentava encontrar uma solução para aquele caso misterioso. Mas cada vez mais as certezas de que elas estavam mortas diminuíam.
                E se elas estiverem vivas?
                As incertezas deixavam o tenente cada vez mais estressado e furioso. Ele estava sentado na poltrona de sua sala. Girava a cadeira para pensar, mas de nada adiantava. Suava como se acabasse de sair de uma piscina.
                Ele queria. Queria porque queria agarrar Marcos e Fred juntos e atirá-los contra cacos de vidro, ou pregos enferrujados, ou em uma chapa bem quente... Em qualquer outro lugar que os torturasse até que dissessem a pura e crua verdade sobre onde estariam os corpos das garotas – isso se elas estivessem mortas.
                Carlos vivia duplamente: Nas manhãs da semana, era a voz da autoridade. O tenente mais destemido e corajoso que São Paulo poderia ter. Ás vezes, em casos mais agravados – como o que estava passando, por exemplo – ele ficava até o turno da noite. Mas quando não havia casos de emergência, ele ia embora para viver sua segunda vida em casa, lugar de responsabilidades. Primeiro como pai e, segundo, como marido.
                Ele era casado com uma empresária não muito famosa – mas que ficara, após se casar com Carlos – chamada Gisele Cardoso: Uma mulher aparentemente bem cuidadosa com a vida – mais precisamente com a pele -. Seus cabelos eram longos e loiros, sua pele era clara e seus olhos eram azuis como um céu sem nuvens. Tinha entre trinta e três a trinta e quatro anos, mesmo aparentando ser bem mais nova. Era bonita, sim, mas se importava muito mais com sua beleza do que com sua família.
                Prova disso era sua filha Gabriela, de doze anos, com um aspecto igual ao de sua mãe: Loira, pele clara, olhos azuis. Porém, diferente de Gisele, ela não precisava se cuidar tanto. Era bonita por natureza e até sua mãe a invejava de vez em quando.
                Gabriela amava sua família. Era filha única e, por conseqüência disso, ganhava muitas mordomias. Mesmo tendo de tudo, ainda sim não era feliz. Amava sua família, mas poucamente os via. Enquanto Carlos trabalhava de plantão na delegacia, Gisele gerenciava sua empresa de cosméticos para a pele. A única opção que os pais tiveram foram colocá-la em um colégio interno, onde eles só poderiam vê-la nos finais de semana e feriados. Mesmo assim, Gabriela já tinha idade suficiente para entender que a vida dos adultos é bem mais complicada do que parece. Mas, mesmo entendendo tudo o que seus pais passavam, ela necessitava de amor, carinho, afeição... Enfim, precisava do amor de um pai e de uma mãe – algo que fazia tempo que não sentia.
                Carlos amava muito a sua família. Amava demais. Mas naquele exato momento, sua mente apenas se concentrava em resolver todo aquele mistério. Queria descobrir tudo. Mas não conseguiria, pois Fred e Marcos jamais contariam.
                Jamais contariam...
                A não ser que...
                Não, não... Eu não vou fazer isso, pensou ele enquanto olhava para suas mãos, com a mente longe. Ele não queria, mas teria de fazê-lo.
                Usaria, ele, a forma mais fácil de obter respostas de um prisioneiro:
                A chantagem.



                Thalita Andrade, mais uma possível vítima dos terríveis assassinatos em São Paulo – isso era o que dizia a mídia, mesmo que o corpo nunca fora encontrado -. Poderia ela ter morrido naquela noite. Aquela terrível noite em que Fred se revelou para a mesma. Noite aquela em que ele matara os pais dela... A noite em que ele a “matara” e queimara o corpo junto com o de Aline – pelo menos era o que Fred havia dito aos policiais, o que não era verdade -.
                Thalita estava viva, abrigada em uma velha casa escondida da cidade. Estava com Aline, sua melhor amiga e companheira. Mesmo com a morte dos pais, ela aparentava estar calma, sem receio e nem trauma de nada – talvez porque estivesse incapaz de fazer algo, pois estava amarrada em cima de uma cama, a mesma em que Roberto fora assassinado...
                Assassinado por ela mesma.
                Há alguns anos, Thalita tivera um caso com Roberto Fernandes. Os dois chegaram a namorar por um pequeno período de tempo, até ela descobrir que estava sendo traída por ele, que estava tendo um caso com uma de suas amigas: Carine.
                Desde então, Thalita jurou que o faria pagar por seus atos. E ele pagou: Com a ajuda de Aline e Lucas, Roberto fora seqüestrado e Thalita se encarregou de terminar o serviço da maneira mais horripilante possível.
                Thalita sabia o porquê de estar ali naquele lugar. Sabia que seria morta. Sabia que estava sacrificando sua vida por uma amiga. Sabia, mas não se importava. Por algum estranho motivo, não se importava e estava disposta a salvar Aline em troca de sua vida.
                Aline entrou no quarto e avistou a garota deitada na cama, presa e inconsciente. Aproximou-se do local, sentou-se ao lado dela e disse:
                - Minha amiga, você vai me salvar. Vai viver em meu coração para sempre, pois agora o seu coração será meu. Obrigado, Thalita. Você é como uma irmã para mim.
                Irmã. Uma palavra bastante forte. Tão forte que fez com que o velho coração de Aline pulsasse mais forte, fazendo-a arfar.
                Lucas entrou pela porta e, num tom de pressa, disse:
                - Amor, o tempo está acabando. Chegou a hora.
                Aline olhou para ele e assentiu. Voltou a olhar para Thalita e disse suavemente:
                - Chegou a hora, Thalita.




                Horas depois, na delegacia de São Paulo, Fred e Marcos descansavam na prisão. Estavam deitados na dura cama de concreto, apenas com um velho travesseiro como apoio para a cabeça.
                De repente, Carlos surgiu sobre as grades. Marcos Percebeu.
                - O que você quer? – disse Marcos, asperamente.
                - Fred! – Carlos gritou.
                - O que quer idiota? –  disse, abrindo os olhos. Na verdade, não estava dormindo. Apenas fingia – Não vê que já passou da hora de dormir?
                - Eu vim lhe propor uma coisa – Carlos começou e foi direto ao ponto -: Vou lhe soltar, mas com uma condição: Vai me levar ao local onde se encontram os outros cúmplices e os corpos de Aline e Thalita, isso se elas estiverem mortas.
                O silêncio pairou sobre o lugar. Em seguida, o rosto de Fred foi tomado por um sorriso medonho e sarcástico. Parecia ter previsto que tudo aquilo acontecesse.
                - E então, o que me diz? – perguntou Carlos, não tendo outra escolha para solucionar o mistério que o assombrava cada vez mais.
                Marcos olhou para seu filho. Fred ergueu uma de suas sobrancelhas.

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