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quinta-feira, 3 de março de 2011

Quer Teclar Comigo Novamente? (4)

Atenção: Este capítulo contém escritas não-censuradas e inadequadas para menores. Portanto, a leitura ficará ao seu critério.


Capítulo 4:

                Os dedos tocavam freneticamente à mesa, como se estivessem pressionando as teclas de um piano. Os olhos vidrados fitavam o ponteiro do relógio girar completos trezentos e sessenta graus lentamente, sem pressa, emitindo o som torturante do tictac. O suor escorria da testa como gotas de água escorrendo de uma geleira prestes a derreter. A respiração era cada vez mais difícil, pois o ventilador estava desligado e Carlos não o ligaria até que Fred lhe contasse toda a verdade. Do contrário, o garoto continuaria sendo vítima daquela tortura mental.
                - Estamos aqui há quase um dia e meio, garoto – Carlos disse calmo, mas é óbvio que já estava ficando cansado de tudo aquilo -. Será que você não percebe que já está condenado? Não se deu conta de que será preso? Que vai pagar por tudo o que fez? Agora, não seria melhor me dizer quem mais está envolvido nisso e onde estão os corpos de Thalita e Aline? Quer mesmo ir para a cadeia e deixar os seus outros ajudantes livres? – fez uma pausa, e perguntou de novo: - Quer mesmo fazer isso?
                Fred aparentava não dar atenção as palavras do tenente, mas na verdade ouvia tudo o que lhe dissera. E, de certa forma, concordava: Ele não podia deixar os outros livres enquanto ele estivesse preso. Seria uma injustiça no mundo do crime. Mas, mesmo que desejasse dizer toda a verdade ao policial, uma parte de sua mente não o deixava fazê-lo.
                Não se atreva a dizer a verdade a ele, sua mente o ameaçava. Você não vai dizer nada a ele. Nada. Nada! Se quiser, minta. Minta, invente qualquer coisa... Mas não diga a verdade. Você sabe que não pode dizer a verdade, pois ela o condenará! Lembre-se de que tudo isso é para o bem dela. Para o bem dela...
                Ele desviou seu olhar para Carlos, sorriu e disse:
                - Você pode me prender, Carlos... Pode me deixar aqui pra sempre, sem água, sem comida, sem nada... Mas você jamais saberá a verdade... Jamais.
                Carlos o encarou seriamente, com ódio, com raiva. Já estava completamente sem paciência e não suportaria ficar mais nenhum minuto dentro daquela maldita sala abafada, olhando para um assassino desgraçado e filho da puta que jamais se atreveria a contar-lhe a verdade.
                Ele virou-se para o relógio: Já passava das dez da noite. Estavam naquele enrolamento há quase dois dias e meio, sentados, encarando-se um ao outro. Em poucas vezes, Carlos se levantara para ir ao banheiro, ou comer um lanche – mas sempre deixando outro policial de guarda, para que o delinqüente não fugisse -, enquanto Fred não se movera dali. Agüentara firmemente aqueles dois longos dias sentado, urinando nas calças, bebendo da própria saliva – que já nem houvera mais em sua língua -, morrendo de calor e de fome. Estava exausto, cansado de tudo aquilo, mas não contou a verdade – e não contaria. Se possível, se fosse para continuar ali por mais dois dias, três, ou cinco, continuaria. Mas não diria uma só palavra da verdade. Não diria.
                - CHEGA! – Carlos exclamou, levantando-se bruscamente da cadeira, fazendo-a tombar para trás. Agarrou Fred pela gola da camisa e o deixou cara a cara com ele – Você vai para a prisão, filho da puta! Era isso que você queria, não é? Eu até pensei em lhe dar uma chance de se redimir, mas vejo que não há nada dentro dessa sua cabeça oca! Maldito... Era para você estar estudando agora, se formando, tornando-se um homem. Mas a única coisa que consigo enxergar em você é a maldade, a desgraça... Fico nauseado só de olhar pra você... Filho da puta!
                Ele atirou o garoto contra a parede e deu-lhe um pontapé na boca do estômago, fazendo-o agonizar e ofegar.
                - Quer um consolo? Quer um consolo, Fred? – disse, sorrindo sarcasticamente – A boa notícia é que não se sentirá um estranho atrás da jaula. Terá o seu maldito pai como companhia! – chutou-o novamente.
               

                O portão de grades escuro se abriu. Um dos guardas empurrou Fred adentro, junto dos outros presidiários que descansavam – mas alguns ainda agitados -. Fred observou o lugar, a escuridão que era aquele maldito calabouço. Frio, escuro, nojento... Aqueles malditos homens cheirando mal. Os ratos compartilhavam o lugar, caminhando tranquilamente e sem medo.
                Os olhos do garoto se encheram de ódio. Seus lábios tremeram e ele mordeu-os, fazendo-os sangrar. De repente, ouviu uma voz. Aquela voz...
                - Olá, filho – a voz vinha da escuridão e, pouco a pouco, os passos surgiam e, dentre as sombras da noite, um rosto conhecido apareceu.
                - Pai – Fred disse com vertigem e aspereza.
                Marcos sorriu numa expressão diabólica.
                O portão do calabouço se fechou num estrondo.



                Roberto podia ouvir a sua fraca respiração, mas ainda enxergava uma infinita escuridão. Foi quando abriu os olhos. Enxergou a forte luz branca sob um teto amarelado e cheio de rachaduras. Olhou em volta e percebeu que estava em cima de uma cama grande - de casal, por sinal -. Tentou se movimentar desesperadamente, assustado, mas estava acorrentado das mãos às pernas, preso por correntes grossas de ferro. Olhou em volta de seu corpo e percebeu que estava nu.
                O quarto era pequeno, mas espaçoso. Estava sujo, empoleirado. Havia um guarda-roupa branco e velho no canto direito da parede. Não havia janelas no lugar, apenas uma porta. Porta essa pelo qual uma mulher entrara.
                Ela também estava nua, mas usava uma máscara teatral dourada com um sorriso estampado e segurava um chicote de couro. Roberto a observou pálido, imóvel. Por um instante, esquecera que estava amarrado e apenas contemplava aquele corpo esculpido perfeitamente por anjos – ou demônios-. Observou a máscara em seu rosto e o chicote em suas mãos. Logo ele sorriu e, com uma mente perversamente erótica, disse:
                - Então é você... Diabinha...
                A mulher não dissera uma palavra. Apenas o contemplava com olhares negros e não se sabia se estava sorrindo ou não. Mas a máscara sorria. Era um sorriso forte, perverso, assustador...
                Roberto não se lembrava de como foi parar naquele lugar. Sua última lembrança era de estar esperando no exato local onde supostamente a encontraria. Mas ela demorara. E quando estava prestes a ir embora, alguém o surpreendeu por trás, colocando um lenço em suas narinas, fazendo-o aspirar aquele odor... E então ele desmaiou.
                Então foi isso, ele pensou, dando-se conta de tudo o que aconteceu, ela me seqüestrou... Hehe... Será que ela é mesmo uma Diabinha? Parece que sim...
                - Então, você me seqüestrou para que pudéssemos brincar a sós? – ele disse num tom pervertido – Você me assustou, gata. Pensei que ia morrer.
                - E você vai – a mulher disse num tom normal, sem emoção alguma -. Agora vamos brincar.
                Ela aproximou-se de Roberto, dando passos lentos e exóticos.
                - Isso gata, venha... – ele dizia quase ofegante. Estava inteiramente excitado e a mulher percebeu através daquela parte de seu corpo que estava ereto – Venha... Isso, venha... Vamos brincar.
                Ela subiu em seu corpo, que estava de costas para a cama, e sentou-se, deslizando suas mãos em seu peito. Roberto revirava os olhos e gemia. O prazer estava tomando todo o seu interior.
                A mulher esfregava-se sobre ele em uma fricção de vai e vem. Roberto fechava os olhos e imaginava tudo o quanto sua mente projetava eroticamente. Era um desejo que estava sendo saciado.
                - Está gostando? Está? – A mulher perguntava enquanto gemia e aumentava rapidamente a fricção com o homem.
                - Estou... Estou! – ele dizia quase tropeçando nas palavras, sem fôlego – Continua... Continua!
                Enquanto ele permanecia de olhos fechados, ela retirou uma tesoura de jardineiro debaixo dos lençóis da cama e colocou o objeto sexual de Roberto entre as lâminas...
                - Continua! – ele gritava de prazer. Seus olhos estavam fechados e ele mal sabia o que ela estava preparando para o Gran Finale.
                Antes que o homem pudesse chegar ao ponto máximo de seu prazer, ela, num ato repentino e impiedoso, fechou a tesoura com todas as forças, cortando de uma só vez o órgão genital de Roberto.
                - AAAAHHHH – ele gritou e agonizou em uma tremedeira corporal insustentável. O horror em seus olhos arregalados, cheios de veias avermelhadas mostrava o medo, a agonia, a dor que estava sentindo sobre aquela perda que nenhum homem desejaria ter.
                O órgão caiu por sobre seu estômago e o sangue espirrava da ferida, como se fosse um extintor. Seus braços e pernas se debatiam, ele babava e vomitava ao mesmo tempo. A mulher continuava sobre seu corpo e observava aquela agonia infernal. Aquele era seu prazer e ela ainda não havia terminado.
                Sendo manchada pelo sangue de Roberto, ela fechou a tesoura e, com a ponta para baixo, cravou-a no estômago do homem. Depois a retirou. Depois cravou-a novamente, e voltou a tirá-la... Cravou e retirou, cravou e retirou, cravou e retirou... Até que percebeu os olhos abertos e vidrados da vítima. As mãos e pernas parando de tremer. O silêncio tomando o lugar...
                Roberto estava morto.
                - Era isso que você deveria ter sentido quando estava transando com a Carine, seu filho da puta! – a mulher exclamou num tom odioso.
                Levantou-se da cama e saiu do quarto ainda nua, mas vestida ao sangue daquele que a traíra há algum tempo. Ela conseguiu. Tinha se vingado.
                Antes que fechasse a porta, olhou novamente para o corpo estendido e disse:
                - Eu deveria ter retirado os seus rins... Mas nem para isso você serviria mais...
                Ela fechou a porta.