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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Quer Teclar Comigo novamente? (11) FINAL



Capítulo 11 – Final

            Tempos depois.

O caso parecia estar completamente solucionado: Fred voltara para prisão ao lado de seu pai, Marcos Oliveira; As mortes através da internet pareciam finalmente ter acabado. E tudo voltou ao normal...

Porém, as questões sobre o desaparecimento de Aline e Thalita continuavam em pés. Mas a polícia resolveu deixar o caso como ‘solucionado’ e esquecer aquela parte do quebra-cabeças. Nunca, até hoje, encontraram os supostos corpos delas.

           Aline e Thalita... 

          Onde estariam?
            O lugar era pequeno, estreito, escuro... Iluminado apenas pelo brilho do monitor de um computador, onde podia-se avistar um site com várias pessoas unidas... Uma sala... 

Uma sala de bate-papo...

Os dedos preenchiam as teclas da máquina, enviando mensagens àqueles internautas totalmente inocentes, que às vezes pensavam estar teclando com uma garota, com um garoto, com intuitos hormonais... Intuitos sexuais, relacionamentos... Mas nem ao menos suspeitavam da pessoa por trás daquela telinha de computador...

Uma pessoa que, aparentemente, era inofensiva, inocente como todas as outras... Mas com intuitos bastante diferentes... Um intuito de matar... Matar para salvar...

Salvar a filha...

Uma filha...

Aline...

Maria teclava constantemente ao computador, enviando convites aos internautas. Estava passando-se por um garoto de vinte e dois anos, usando uma fotografia falsa de um modelo desconhecido. As pessoas não suspeitavam e conversavam com ela, criando pequenos laços de amizade, que mais tarde se tornariam mais fortes... Até que lhe entregassem os seus endereços residenciais... Para que o intuito de Maria desse certo:

Conseguir um coração...

Um novo coração para a sua filha amada: Aline Franco de Almeida, que respirava por tubos de oxigênio, deitada a um leito não muito confortável, encontrado naquele pequeno quarto escuro...

O tempo estava se esgotando, mas Maria ainda tinha esperanças... Esperanças de que encontraria o coração perfeito para salvá-la... E estava disposta a matar à todos para dar a vida à sua filha...

Estava disposta a matar à todos... Com exceção de Thalita Andrade.

Thalita Andrade, a garota que tanto sofreu no passado, filha de pai um pai assassino – Marcos – e irmã de um bandido – Fred -. A única que se salvara de tudo aquilo, cujo seu verdadeiro paradeiro ainda era desconhecido pelos policiais...
            Maria tinha um grande motivo para não matar Thalita e salvar Aline. Um grande e misterioso motivo que talvez jamais seria revelado...


Os batimentos cardíacos de Aline eram estáveis... Maria continuava a teclar e dizia em voz baixa:

- Eu vou salvá-la, filha... Eu juro por Deus... Você vai voltar a viver... Eu prometo...

De repente, seu celular começou a vibrar em cima da mesa do computador. Ela atendeu:

- Alô? – disse Maria.

- Vadia... 

Ao ouvir tal voz, Maria o reconheceu e disse com desprezo:

- O que você quer?!

- O que eu quero? (...) O QUE EU QUERO? EU QUERO SAIR DAQUI, SUA PUTA!! – exclamou Marcos Oliveira, o pai de Fred e de Thalita Oliveira de Andrade, que ligava da agência penitenciária - ME TIRA DAQUI, SUA CACHORRA! ME TIRA!

- Você está em prisão perpétua, seu idiota! Eu não posso fazer nada, e mesmo que pudesse jamais faria! A minha vida está muito melhor sem você! Thalita está feliz aqui! Eu contei tudo à ela. Toda a verdade! Você se fodeu, seu idiota! Se FODEU!

- FILHA DA PUTA!! – exclamou Marcos com toda a sua raiva.

Ele pensou em dizer as palavras seguintes aos berros...

Mas parou e pensou muito... Os policiais não poderiam saber daquilo...

Aquilo...
            Aquilo que, se contado, resolveria todo aquele caso... E responderia às questões ainda não respondidas da polícia de São Paulo...

Então, aos sussurros baixos, Marcos disse num tom de ameaça:

- Eu juro... Juro por tudo que é mais sagrado... Que se você não der um jeito de me tirar daqui... Eu contarei toda a verdade aos policiais... Contarei que você e eu somos casados... Que você é a mulher com quem eu casei no passado... Que eu não a matei... Que tivemos filhos... Três filhos... E que eles se chamam: Fred Oliveira... Thalita Oliveira de Andrade e...

‘... Aline Franco de Almeida Oliveira...

Sim.

Aline Franco de Almeida Oliveira... Ela também era mais uma filha de Marcos Oliveira... Que por todos esses anos foi casado com Maria Franco de Almeida... Que esconderam por todos esses anos seus paradeiros, suas verdadeiras identidades, suas mais profundas verdades...

A pessoa que há anos atrás Marcos matara fora apenas mais uma de suas dezenas de vítimas...

Segredos... Obscuros segredos... Que agora estavam sendo desvendados...

Um grande segredo que há tanto tempo ficou em sigilo...

O segredo de que: Aline e Thalita eram irmãs de sangue...

Ao ouvir tais ameaças, Maria exclamou:

- VÁ PARA O INFERNO!
            E desligou o aparelho, jogando- contra a parede, fazendo-o despedaçar-se para que Marcos jamais voltasse a ligá-la e ninguém soubesse sua localização...

Ao mesmo tempo, a porta do escuro quarto abriu-se e a silhueta de uma garota surgiu arrastando algo... Alguém...

Uma pessoa... Uma vítima...

- O que aconteceu, mamãe? – Thalita perguntou ao observar aquele celular destruído e a aparência assustada de Maria.

- Nada... – ela respondeu, tentando reprimir os acontecimentos que há pouco aconteceram – Você... Você trouxe?

- Sim – Thalita disse entusiasmada e desprendeu-se da vítima que estava arrastando. Aparentava ser uma garota de dezesseis anos, que estava inconsciente – Será que vamos conseguir dessa vez? Vamos mesmo salvar a Aline?

Levantando-se e sorrindo, Maria assentiu. Aproximou-se de Aline, alisou seus escuros cabelos e disse:

- Vamos sim... Vamos salvar sim, minha filha... Eu prometo... E se essa garota não for ideal, continuaremos a procurar pela pessoa perfeita, com o coração perfeito... Eu juro...

O abraço foi constante e apertado.

Thalita segurou a mão de Aline, dizendo suave e carinhosamente:

- Aline... Eu juro... Vamos te salvar... E vamos ser as melhores irmãs do mundo... Eu sempre soube que tínhamos algo em comum... Que éramos iguais... Agora que sei de tudo, farei o impossível, matarei quantas pessoas precisar para poder salvar a sua vida... Minha irmãzinha...

Após aquelas palavras, Thalita afastou, sentou-se à cadeira em frente ao computador e escreveu à sala de bate papo para todos os internautas:

Quer Teclar Comigo?
            Thalita e Maria continuariam a buscar pela pessoa perfeita que houvesse o coração compatível com o de Aline Franco de Almeida Oliveira...

Continuariam a enganar as pobres pessoas inocentes, enviando-lhes convites chamativos, usando fotografias falsas de modelos com boa aparência... Enviando e Pedindo-lhes endereços residenciais com a máscara de inofensivas ovelhas, mas que por trás são perigosos lobos famintos... Famintos por morte e violência...

Sexo, amizades, namoros, relacionamentos...

Pobre das pessoas que confiam toda a sua vida aos estranhos, dando-lhes informações pessoais, tentando encontrar a alma gêmea, satisfazer seus hormônios ou simplesmente criar amizades... Sem saberem que por trás daquela telinha de computador pode haver mais do que uma simples pessoa inocente... Que não quer apenas amizade, sexo, ou um bom relacionamento... Mas que pode querer algo que está dentro de você e que, se retirado, poderá acabar com a sua vida...

Eles não medirão esforços, nem possibilidades, para chamar mais e mais vitimas, que caem em um simples, chamativo, e fatal convite:

        “
Quer Teclar Comigo?

            Fim.
            Escrito por Valdir Luciano, 2009.