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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As Crônicas de um Vampiro - Capítulo 6

Capítulo 6 –

                Draco estava repousando ao leito de Lêmion, seu pai, nos confins do castelo. Ao lado de vampiros especialistas do clã, o rei observava a estranha marca que havia se formado no pescoço do jovem inconsciente.
-... E então... O que significa esse símbolo? – perguntou Lêmion, olhando atentamente para seu filho – Já descobriu, Sat?
Com os olhos totalmente avermelhados, cujas pupilas dilatavam-se para visionar qualquer detalhe encontrado em Draco, Sat supõe:
- Provavelmente, Senhor, essa é a prova de que seu filho possui o poder dos antigos Lordes. Esse símbolo parece prever as mudanças no corpo de Draco... Aparentemente, parece que ele obterá asas, assim como os ancestrais possuíam... Ainda não dá pra saber quais tipos de habilidades ele herdará... Por enquanto, é só isso que posso lhe dizer.
Lêmion ignorou as palavras de Sat, apenas observando o seu filho de forma contente, sorridente, orgulhoso,pois agora tinha a certeza de que Draco seria o herdeiro do poder máximo de Drácula e futuramente reinaria aquele castelo... E também o mundo.




Dias se passaram e o jovem vampiro, totalmente recuperado, estava sentado sobre o topo de um dos mais altos prédios da cidade de Bucareste. Pensava bastante no que ocorrera naquele dia – que ainda era recente em sua memória -. Enquanto a brisa soprava seus cabelos, ele observava o solo onde as pessoas comuns caminhavam, os carros passavam de um lado para o outro e a população agitava-se com o passar das horas. Mesmo observando tudo aquilo, seus olhos estavam vidrados e sua mente viajava longe, muito distante dali. As imagens passavam-se em seu subconsciente, enquanto seu pensamento questionava:
O que realmente aconteceu naquele dia?
Eu não consigo me lembrar...
Como o lobisomem Dig morrera?
Quem o matou?
Sasha?
Ou será que foi...
Eu...?

De repente, a estranha marca em seu pescoço começou a arder, latejando entre as veias. Draco a cobriu com as mãos, pressionando-a para amenizar a dor. Ao mesmo tempo, sua mente confusa perguntava-se de onde surgira aquela marca.
- BÚUUHH!! – Sasha tentou assustá-lo, tocando-o de modo desprevenido – O que está fazendo aqui? Pensei que seu pai não quisesse mais que seu ‘filho’ andasse por aqui. Por acaso você fugiu de casa?
- Bom... É por ai – disse Draco, ainda pressionando a mão direita no lado esquerdo do pescoço – Eu disse que ia passear nas beiradas do rio da região.
Sentando ao seu lado, a garota sussurrou:
- Então é por isso que os guardas estão te procurando...
Os olhos do vampiro esbugalharam-se, o susto foi inevitável:
- O QUÊ?! – questionou o garoto, incrédulo – Eu disse para o meu pai não enviar escolta! Mas que droga! Eu tenho que voltar imediatamente, senão...
- Obrigada por me salvar daquele lobisomem – Sasha disse sem prévio aviso, segurando a mão do garoto, fazendo-o calar-se e esquecer o que estava dizendo.
A troca de olhares foi intensa. A paralisação dos corpos os deixavam feito estátuas. A respiração de Draco podia ser ouvida através da aguçada adição de Sasha. Porém, outro som que vinha do interior do vampiro podia ser ouvido pela garota...
Batidas...
Pulsos...
Fortes batidas sincronizadas que aumentavam de ritmo cada vez que Draco a encarava...
Eram batidas do coração. Um coração que deveria estar parado, sem sangue... Mas que misteriosamente pulsava tão forte quanto o de um humano...
- Draco, você... – ela tentou perguntar a ele, incrédula. Mas as palavras não queriam sair – Draco...
- O que? – ele questionou curioso e assustado, tentando imaginar o que ela estaria pensando. Porém, ele não tinha a menor idéia.
Sasha queria dizer, mas sua mente a impedia de realizar tal ato. Talvez fosse melhor deixar aquela conversa de lado. Por mais que fosse estranho e assustador – um coração de um morto pulsar tão forte quanto o de um humano -, o melhor a se fazer era esquecer aquilo e retomar a conversa em um momento mais apropriado.
Então, ela disse desconfiada:
- Não... Nada... Só estou feliz que tenha matado o lobisomem para me salvar...
O abraço de Sasha foi repentino e imediato, apertando o corpo de Draco que, ainda incrédulo, tentava relembrar o momento em que matara Dig. As incertezas de que não fora ele eram maiores do que tudo, e ele apenas se perguntava como conseguiu realizar tal façanha...



No castelo, Lêmion estava em seu quarto, diante de um enorme espelho com um fundo totalmente obscuro, repleto de ossos que decoravam as laterais:
O espelho das trevas – assim se chamava o objeto que, segundo a crença vampiresca, é possível se conectar com o outro mundo através de um sacrifício envolvendo pequenas gotas de sangue do portador.
O rei, antes de realizar o ato, observou atentamente o espelho, enquanto pensava se queria mesmo fazer aquilo.
Depois de alguns segundos em silêncio, suas presas surgiram e perfuraram suas próprias mãos, fazendo o sangue proliferar e cair em pequenas gotas sobra vidraça do objeto, pressionando-a...
Ao mesmo tempo, um estranho e indecifrável linguajar começou a sair da boca de Lêmion, enquanto suas mãos pouco a pouco afundavam dentro do reflexo negro daquele espelho.
De repente, uma terrível chama vermelha acendeu-se dentro daquela dimensão quadrada, junto das milhares de vozes perturbadas que gritavam e gemiam assustadoramente.
Em seguida, em meio toda aquela escuridão demoníaca, grandes e enormes olhos vermelhos e penetrantes surgiram, dilatando-se. A presença maligna foi grande e Lêmion perdeu a gravidade, ajoelhando-se cansado no chão, amedrontado por tamanha força e energia negativa que aquele misterioso ser emitia apenas com os olhos.  
De cabeça baixa e com devoção ao ser, Lêmion glorifica:
- Oh, mestre das trevas! Deus dos vampiros e que sempre vive e reina sobre nós! Eu imploro que tenha piedade da minha alma e que ouça as minha súplicas! Não jogue sua ira contra nós, e nos proteja com teu fogo infernal!
A voz soou rouca, mas forte:
- Diga, meu infiel servo...
- Venho lhe trazer informações sobre o vampiro da profecia: Como previsto, a marca surgiu! Creio que seja o sinal de que...
- Sim. O processo de evolução já começou... Em breve, seu poder irá se igualar aos de um Lorde, e assim ele reinará sobre este mundo... E então... Eu voltarei...
- Porém – Lêmion contradisse – ele ainda não demonstrou nenhuma evidência de pode. Não possui auto-controle de sua força e não consegue manifestá-la. Porta-se como um humano e não possui instinto de vampiro. O que devo fazer para despertar o verdadeiro demônio dentro dele?
-... Nascido para dominar o mundo, ele está sendo consumido por outra força. Os anjos divinos já devem estar cientes e já estão agindo para tirá-los de nós... Você deve fazer aquela “condição” para trazê-lo de volta a nós e despertar de uma vez por todas o seu demônio interior...
Os olhos de Lêmion cintilaram e ele engoliu em seco, assustado:
- “Aquela” “Condição”? – ele questionou – Mas Senhor... Não acha que é muito cruel...?
De repente, uma forte pressão tomou o corpo de Lêmion, fazendo-o despencar ao chão. A ira do estranho ser estava se manifestando.
- Desde quando vampiros possuem sentimentos e remorsos? Você fará o que eu ordenei! Somente assim ele despertará o verdadeiro vampiro dentro dele... E onde o mal estiver... Eu estarei...
A escuridão sumiu repentinamente, trazendo o reflexo normal novamente.
Lêmion levantou-se cansado, abalado e verdadeiramente assustado com as ordens daquele misterioso ser que possuía uma força incomparável.
- Draco... – o rei sussurrou, pensando no terrível plano que teria de criar para fazer com que os poderes do garoto se manifestassem...
Um plano...
Uma condição...
Uma condição de morte.